Saída turbulenta de Boris Johnson encerra gestão tumultuada como primeiro-ministro

Gestão de Boris Johnson foi marcada por escândalos e estilo exagerado de governar.

O fim, quando finalmente chegou, foi tão tumultuado e estarrecedor quanto qualquer outro capítulo da carreira política de Boris Johnson.

Entrincheirado em Downing Street na noite da quarta-feira, o primeiro-ministro testemunhou uma rebelião em seu gabinete, uma catastrófica perda de apoio em seu Partido Conservador e um êxodo em massa de seus ministros, o que ameaçou deixar partes significativas do governo britânico sem liderança funcional.

O anúncio de Johnson ocorre em meio a escândalos que pautaram os noticiários do mundo nos últimos meses. O estopim se deu após a renúncia coletiva de mais de 50 integrantes de seu governo.

Boris Johnson ocupa o cargo de primeiro-ministro há três anos, tendo sido eleito em votações internas do Partido Conservador do Reino Unido em julho de 2019, substituindo Theresa May, que havia renunciado ao cargo.

As críticas referentes à gestão de Johnson foram intensificadas em janeiro deste ano, quando vazou a informação de que o premiê havia promovido festas no jardim da residência oficial de Downing Street, em Londres, durante o primeiro lockdown contra o coronavírus.

As revelações sobre uma série de festas em Downing Street reuniram o escárnio popular com as críticas do líder de oposição do Partido Trabalhista Keir Starmer, que disse que Johnson não tinha autoridade moral para liderar o país.

Entretanto, a principal e mais recente causa da instabilidade é relacionada ao parlamentar Chris Pincher, demitido na última quinta-feira em meio a alegações de que Johnson o havia nomeado para seu governo mesmo sabendo de acusações de má conduta sexual.

Quando novos relatos sobre outros casos relacionados a Pincher, enquanto era ministro das Relações Exteriores, surgiram, foi negado que o premiê soubesse qualquer coisa a respeito da situação.

Porém, após dificuldades em fornecer explicações, a equipe de Johnson disse que ele tinha conhecimento das acusações, mas que haviam sido “resolvidas”.

Na manhã de terça-feira (5), Simon McDonald, ex-funcionário público do Ministério das Relações Exteriores, revelou que Johnson havia sido informado pessoalmente sobre o resultado de uma investigação sobre a conduta do ex-membro do governo, provocando uma onda de demissões ao longo do dia.

O primeiro-ministro reconheceu na terça-feira que “foi um erro” nomear Pincher para seu governo, mas o dano já havia sido feito.

 

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