Duas crianças indígenas morrem em menos de 10 dias por falta de assistência médica na Ilha do Bananal

Mortes aconteceram na aldeia Macaúba e na aldeia do povo Tapibaré, uma próximo a outra em um intervalo de 10 dias.

Povos indígenas moradores da Ilha do Bananal reivindicam assistência médica para a região após duas crianças morrerem nas aldeias Macaúba e Tapibaré. A primeira vítima, o pequeno João Miguel, nasceu com problema de hipoglicemia e precisava de acompanhamento contínuo, como na região não há essa assistência, o menino faleceu.

“Eles trabalham pelo dinheiro, não estão fazendo o que deveriam fazer. Enquanto estiver a mesma equipe, o trabalho vai ser o mesmo. Está faltando tanta coisa, tipo combustível, medicação, enfermeiro, dentista. Por isso em julho a gente enfrentou muita dificuldade, muita tristeza com a perda do pequeno João Miguel”, lamenta uma parente da criança.

A última vítima foi Utai Kureheru Iny, de apenas um ano, que morreu na última segunda-feira (18), seu estado de saúde piorou e precisou ser levada para um hospital em Confresa (MT), cidade com hospital mais próxima. O motorista demorou a aparecer e a pequena morreu em decorrência de uma parada cardíaca.

Segundo o Ministério da Saúde, o motorista responsável pelo transporte, já foi afastado do cargo. Segundo o Instituto Indígena do Tocantins (INDTINS), essa não é a primeira vez que o povo Karajá enfrenta dificuldades com o serviço de saúde pública, que é de responsabilidade do DSEI-Araguaia. Ao todo, três aldeias que não possuem postos de saúde, ficaram sem o serviço médico em maio deste ano.

Em nota, o Ministério da Saúde lamentou a morte da criança e informou que o DSEI Araguaia afastou o motorista que não atendeu ao chamado, ressaltando que “não faltam meios de transporte, e que na região a Secretaria Especial de Saúde Indígena (SESAI) dispõe de três barcos, cinco camionetes e uma van, todos com combustível, além de servidores suficientes para realizar os serviços de transporte em saúde”. O Ministério ainda deu informações sobre o estado de saúde de Utai Kureheru Iny, alegando que a menina teria recebido atendimento médico no início de maio deste ano, e que teria feito tratamento até que o sintomas desaparecessem.

Na segunda-feira (18), a paciente apresentou novamente os sintomas e, por decisão da família, passou a ser cuidada pelo pajé da aldeia. Como seu quadro de saúde piorou, recebeu os atendimentos nas cidades de Santa Terezinha e Confresa, no Mato Grosso.

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