Combustíveis: Por que está subindo mesmo sem reajuste da Petrobras?

O último reajuste feito pela Petrobras no preço da gasolina nas refinarias foi de 18,77% há quase dois meses, em 10 de março, mas o preço dos postos não para de subir. Por que isso está acontecendo? Os postos estão ganhando em cima do consumidor?

Na realidade, não. Os números oficiais e especialistas mostram que os postos não aumentaram em março tudo o que poderiam. Esse reajuste está sendo feito aos poucos e ainda não chegou ao limite. Desde março, o preço médio do litro subiu 8,98%, indo de R$ 6,68 para R$ 7,28, segundo a ANP (Agência Nacional do Petróleo). Ou seja, subiu metade em relação aos 18,77%.

“Se a gente só pegar o dado mensal, houve um aumento de 3,32% em abril em comparação a março, segundo a ANP. É um percentual baixo de aumento em relação à alta nas refinarias. A questão é que o preço já está muito alto e a cada semana vem batendo recorde. O consumidor sente mais”, explica Carla Ferreira, pesquisadora do Ineep (Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis).

Preço no Brasil ainda está defasado e pode subir mais

Paralelamente, há uma defasagem média de 17% no preço da gasolina nas refinarias em relação aos praticados no mercado internacional, segundo cálculos da Absicom (Asociação Brasileira dos Importadores de Combustíveis).

Na prática, isso significa que ainda há espaço para novos reajustes no curto prazo, como forma de compensar a diferença entre os preços nos mercados interno e externo.

“A Petrobras pode fazer novos reajustes para tentar diminuir essa defasagem. Se não houver alguma política pública, se o PPI [Preço de Paridade de Importação, política adotada pela Petrobras] se mantiver como está e se o mercado internacional continuar assim, provavelmente teremos novos aumentos nos postos”, completa a pesquisadora.

Além disso, a forte alta nos preços do etanol também puxa os preços da gasolina vendida ao consumidor, porque a gasolina é composta por 27% de álcool. O etanol passou de R$ 4,84 em março para R$ 5,33 em abril (+10,12%), de acordo com a ANP—.

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