Bia Ferreira vence Mira Potkonen e vai à disputa do ouro nas semifinais do boxe

Campeã mundial peso leve se classifica à primeira final olímpica do boxe feminino brasileiro

Na madrugada desta quinta-feira, pela primeira vez na história, o Brasil tem uma mulher numa final do boxe olímpico. A campeã mundial do peso leve (até 60kg), Beatriz Ferreira, se classificou à final do boxe feminino nas Olimpíadas de Tóquio ao derrotar a finlandesa Mira Potkonen por decisão unânime (5:0) dos juízes na semifinal das Olimpíadas de Tóquio 2020.

Até então, o melhor resultado de uma mulher brasileira no boxe havia sido a medalha de bronze de Adriana Araújo em Londres 2012, primeira Olimpíada com disputa feminina no ringue. Bia supera a amiga garantindo a prata e disputando o ouro. Na final, na madrugada de sábado para domingo às 2h (horário de Brasília), ela disputará a medalha contra a irlandesa Kellie Anne Harrington, que venceu Sudaporn Seesondee por decisão dividida.

“Eu quero (a medalha) dourada, vou brigar até o fim. Vamos adiante, vamos subir no pódio, ficar no lugar mais alto e ouvir o nosso hino. Vai ser difícil tirar ela de mim. Treinei o tempo todo pra isso” disse Bia após a luta.

Ela também deixou um recado para a família:
“Pai, mãe, estou na final dos Jogos Olímpicos! Obrigada!”

Potkonen enfrentou Bia desde o início, combinando jabs e diretos e tentando pressionar a brasileira. Mas a baiana não se intimidou, se protegeu e contragolpeou com violência. Aos poucos, o ritmo da europeia foi diminuindo e Ferreira foi ganhando espaço. Potkonen voltou a atacar na reta final conectando um bom cruzado de direita, mas os juízes pontuaram o primeiro round de forma unânime para a brasileira.

No início do segundo round, Potkonen atacou com tudo novamente e Bia aproveitou para acertar outra dura mão esquerda. Com Potkonen indo muito para cima, levou um cruzado de esquerda no pé do ouvido e caiu para frente, mas o árbitro marcou apenas como desequilíbrio, sem abrir contagem.

Ferreira estava confortável. Aos poucos, foi virando toureira, saindo para a esquerda e conectando com a canhota enquanto a europeia passava direto. Uma direita balançou Potkonen, que caiu mais uma vez de joelhos no fim do assalto. Desta vez, um juiz pontuou o round para a finlandesa, mas Bia já tinha a vitória por decisão dividida praticamente no bolso.

No último round, a brasileira entrou buscando maior volume de golpes. Ela entrou em trocação franca com Potkonen, que levava perigo com duros diretos de direita. A finlandesa acertou um bom cruzado de esquerda. Com mais estratégia, Bia voltou clinchando com a adversária e marcando o rosto repetidamente com o jab. Ela só esperou Potkonen nos segundos finais, de guarda baixa, para contragolpear e garantir a vitória.

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